Madeira na Construção Civil

Do piso ao telhado, esse recurso natural predomina em projetos de engenharia e arquitetônico

O uso da madeira na construção civil e em projetos de decoração está sendo cada vez mais disseminado. Portas, janelas, telhados, pisos, revestimentos, cercas, móveis e material para os canteiros de obras privilegiam a madeira como principal matéria-prima. Mas para uma correta escolha de produtos e acabamentos em cada uma dessas situações, é mais seguro consultar quem já tem experiência. É o que não falta ao carpinteiro Vicente Vieira Barboza, de 75 anos. Ele está há 64 no ramo da carpintaria, profissão que aprendeu com o pai aos 11. Hoje, trabalha com o filho Ricardo Góes Barboza, de 33, na Floresta Design Carpintaria e Marcenaria, que fica na região Norte de Belo Horizonte. Fabrica sob encomenda esquadrias, que são as portas e janelas, e também faz telhados, pisos e móveis para escritório e outros ambientes, como bibliotecas.

Vicente explica que para cada produto há um tipo de madeira mais indicada. “Trabalhamos com oito a 10 tipos de madeira e seus subprodutos, que vão desde madeira maciça, cujas toras são cortadas em pranchas, até compensados, MDF e aglomerado.” O compensado e o MDF são chapas de madeira que têm espessuras variadas, formadas por material prensado. Para a fabricação do compensado são prensadas lâminas de madeira e, para o MDF, usa-se uma pasta a partir de pó de árvores do cerrado ou de reflorestamento, como pinus e eucalipto. São os materiais ideais para a fabricação de móveis, e foram mesmo criados para substituir o uso da madeira maciça nesses casos. Quanto à idéia de que esse tipo de material resulta em móveis de qualidade inferior, o carpinteiro avisa que é preconceito, já que são criados para este fim, com a resistência adequada. O que fará a diferença é a forma de fabricação, o acabamento e a madeira de origem. “Quase não se usa mais móveis e objetos de madeira maciça, principalmente pela escassez da madeira, o que a torna cara. Também há o problema do peso excessivo e da exigência de mão-de-obra especializada, que realmente saiba trabalhar com ela”, afirma.

As madeiras mais usadas para compensados e MDFs são a imbuia, o cedro e o curupixá, que parece cedro. “O cedro verdadeiro exala um aroma muito bom. O curupixá, entretanto, imita bem o cedro e é mais barato”, explica. Para portas e janelas usa-se ipê, cumaru e cedro. Nos pisos são usados ipês, cumaru, peroba e garapa, uma madeira mais clara. Nos telhados predominam as paraju. “Porque é resistente, não empena e é mais barata. É uma árvore ainda facilmente encontrada na Amazônia. Imagine-se andando em uma floresta com 100 árvores, naquela região. Você encontra 10 ipês, um cedro, um mogno e acaba achando cerca de 40 parajus. Daí o preço melhor”, exemplifica. Sobre o uso de madeiras de reflorestamento, Vicente tem pouca esperança. “As árvores são cortadas muito cedo, com cerca de 10 anos. Produzem, então, toras finas, que empenam. É difícil alcançarem a qualidade das outras espécies, que são arrancadas já bem velhas da natureza”, argumenta. Vicente explica que as melhores toras que chegam até ele são as de árvores que têm idade calculada entre 300 e 500 anos, vindas da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica. “É possível calcular a idade pelo número de anéis. Há troncos com até três metros de diâmetro”, relata.

ACABAMENTO E CONSERVAÇÃO DE INTERIORES

Para conservar portas e janelas de áreas externas é preciso aplicar uma base seladora, que tampa os poros. Em seguida, passa-se o verniz, comprado pronto, que já vem com filtro solar e boa resistência à chuva. Pode-se dar uma mão de cera, assim como se faz com os pisos. Também é possível pintar com tinta a óleo, ou fazer um acabamento em laca, que dá um aspecto brilhante. “Igual pintura de carro”, compara o carpinteiro Vicente Barboza. Para áreas internas, a durabilidade desse acabamento é bem maior. A sujeira pode ser retirada com lixa ou palha de aço e repetida a aplicação de verniz, o que geralmente leva muitos anos para precisar ser feito. Na área externa, o procedimento acaba tendo que ser repetido mais vezes, por causa da ação do sol e da chuva. Geralmente, com dois ou três anos é preciso lixar e aplicar novamente o verniz. Para os pisos, a manutenção é feita com a raspagem e reaplicação do sinteco. Se existirem frestas abertas entre os tacos ou tábuas corridas, é preciso aplicar uma massa que faz a calafetação. Ela é da cor do piso e tampa as frestas. Após a secagem, é preciso lixar e aplicar o sinteco. Os móveis podem mudar de cara aplicando-se verniz, que altera o tom da madeira conforme o gosto do cliente. Mas para a madeira escura ficar clara, só pintando. “Aí, há tintas próprias, é preciso raspar e pintar”, orienta Vicente.

Fonte: Lugar Certo.

 

 

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